ARTIGO
Alguma vez recebeu uma proposta indecente?
Proposta indecente: “Se vender diretamente a mim, poupamos o valor da imobiliária”
Imagine que tem a sua casa à venda e aparece um comprador interessado.
Gosta do imóvel, parece decidido e, a determinada altura, faz-lhe uma proposta:
“Se fizermos o negócio diretamente, sem imobiliária, pode baixar o preço. Assim poupa a comissão e eu também consigo comprar mais barato.”
À primeira vista, parece uma proposta lógica.
Afinal, se deixar de existir o custo da imobiliária, porque não aproveitar essa poupança para fechar o negócio?
Mas vale a pena fazer uma conta muito simples antes de responder.
Porque aquilo que parece uma poupança para o proprietário pode acabar por ser sobretudo um desconto para o comprador.
A conta que o comprador gostaria que fizesse
Imagine, apenas como exemplo, que a sua casa está à venda por 300.000 €.
O comprador propõe comprar diretamente e sugere que baixe o preço, justificando que já não terá de pagar uma comissão à imobiliária.
Parece razoável.
Mas pense no resultado.
Se baixar o preço aproximadamente pelo valor que pagaria pelo serviço da imobiliária, poderá acabar por ficar praticamente com o mesmo dinheiro que ficaria se a venda fosse realizada através da agência.
Só existe uma diferença importante:
fica sem o serviço.
Ou seja, o comprador recebe o desconto e você abdica daquilo que esse valor serviria para pagar.
O dinheiro pode ser o mesmo. O serviço não.
É aqui que vale a pena parar e pensar.
Se no final da venda o valor que fica consigo é semelhante, qual das situações é realmente mais vantajosa?
Numa delas, tem um serviço profissional associado à venda.
Na outra, assume sozinho todo o processo e utiliza essa poupança para reduzir o preço ao comprador.
E esse serviço não se resume a colocar um anúncio na Internet.
Inclui a preparação e promoção do imóvel, a procura de potenciais compradores, a gestão dos contactos e visitas, a negociação e o acompanhamento do processo até à conclusão da venda.
Se abdicar do serviço e oferecer essa diferença ao comprador, pode acabar exatamente no mesmo ponto financeiro — mas com mais trabalho e mais responsabilidade do seu lado.
A comissão não pertence automaticamente ao comprador
Há uma ideia importante que muitas vezes fica escondida nesta proposta.
Se decidiu contratar um serviço para vender a sua casa, o custo desse serviço é uma decisão sua enquanto proprietário.
Não significa que, se deixar de contratar esse serviço, esse dinheiro tenha obrigatoriamente de ser transformado num desconto para quem compra.
A casa não passou a valer menos por deixar de existir uma imobiliária.
Continua a ser a mesma casa.
Com a mesma localização.
A mesma área.
As mesmas características.
E o comprador continua interessado nela.
Por isso, antes de aceitar a lógica de:
“Retiramos a imobiliária e baixamos o preço”
vale a pena perguntar:
porque é que a poupança tem de passar para o comprador?
O comprador está apenas a defender o negócio dele
Isto não significa necessariamente que o comprador esteja a agir de má-fé.
Está simplesmente a tentar comprar nas melhores condições possíveis.
Se conseguir comprar a sua casa por menos 10.000 €, 15.000 € ou 20.000 €, naturalmente fará um melhor negócio.
É normal.
Tal como é normal que você queira vender nas melhores condições possíveis.
O problema começa quando apenas uma das partes está a fazer essa conta.
O comprador sabe quanto gostaria de poupar.
E você sabe quanto pode estar a deixar na mesa?
“Mas assim vendo mais depressa”
Também pode ouvir outro argumento:
“Fazemos já o negócio e evita todo o trabalho de colocar a casa no mercado.”
E, dependendo da sua situação, a rapidez pode ter valor.
Há proprietários que preferem vender mais depressa, mesmo aceitando um valor inferior.
Não existe nada de errado nisso.
O importante é perceber que está a tomar essa decisão conscientemente.
Porque uma coisa é escolher trocar parte do valor por rapidez.
Outra é acreditar que está a fazer um negócio melhor apenas porque não paga uma comissão.
São coisas diferentes.
Ter um comprador não significa ter o melhor comprador
Este é talvez o ponto mais importante.
Se alguém bate à sua porta e lhe oferece um determinado valor, já tem uma proposta.
Mas ainda não sabe se tem a melhor proposta que o mercado poderia fazer pela sua casa.
Pode existir outro comprador disposto a pagar mais.
Pode existir mais procura do que imagina.
Ou, pelo contrário, pode descobrir que aquela proposta é realmente muito boa.
Mas para saber isso precisa primeiro de compreender o mercado.
Sem comparação, está simplesmente a decidir entre aceitar ou rejeitar aquilo que uma única pessoa lhe colocou à frente.
A concorrência também influencia o preço
Imagine que existe apenas um comprador interessado.
Ele sabe que está a negociar consigo e que não existe, naquele momento, ninguém a disputar o imóvel.
A posição dele é confortável.
Agora imagine que existem várias pessoas interessadas na mesma casa.
A dinâmica muda.
Já não existe apenas uma negociação entre proprietário e comprador.
Existe também concorrência entre potenciais compradores.
E quando existe procura real, essa concorrência pode influenciar tanto o preço como as condições da venda.
É uma das razões pelas quais vender diretamente ao primeiro interessado pode ser conveniente, mas não permite necessariamente perceber aquilo que o mercado estaria disposto a pagar.
Como responder a uma proposta destas?
Não precisa de entrar numa discussão complicada.
Basta fazer uma conta muito simples.
Se baixar o preço no valor que pagaria pelo serviço da imobiliária, pergunte a si próprio:
“Quanto é que fica comigo no final?”
E depois:
“Se o valor é praticamente o mesmo, porque haveria de abdicar do serviço e entregar essa diferença ao comprador?”
A partir daí surge a pergunta realmente importante:
esta é a melhor proposta que consigo obter pela minha casa?
É essa resposta que interessa.
Não a comissão isoladamente.
A verdadeira comparação é quanto fica consigo no final
Quando está a vender uma casa, é fácil olhar para uma despesa e pensar:
“Se conseguir eliminar isto, ganho mais dinheiro.”
Mas eliminar uma despesa não significa automaticamente receber mais.
Se poupar 15.000 € num serviço, mas reduzir o preço da casa nos mesmos 15.000 €, continua praticamente com o mesmo valor.
A diferença é que deixou de ter o serviço.
E se reduzir o preço ainda mais do que aquilo que pouparia, então o comprador conseguiu transformar a sua poupança num benefício ainda maior para ele.
Por isso, a análise deve ser feita sempre sobre o resultado final.
Quanto dinheiro fica consigo depois da venda?
É esse número que interessa.
Antes de aceitar a “proposta indecente”
Se aparecer alguém interessado na sua casa e lhe disser:
“Venda diretamente a mim e descontamos a imobiliária”
não significa que tenha de rejeitar imediatamente.
Mas também não significa que tenha de aceitar a lógica da proposta.
Antes de decidir, procure perceber quanto vale realmente a sua casa, que procura existe e quanto poderia receber em diferentes cenários.
Porque pode descobrir que vender diretamente é uma boa decisão.
Ou pode descobrir que acabou de oferecer ao comprador precisamente aquilo que pensava estar a poupar.
No final, a pergunta é bastante simples
Se fizer ao comprador um desconto equivalente ao custo da imobiliária, pode acabar por ficar com praticamente o mesmo dinheiro que ficaria se pagasse pelo serviço.
Mas, nessa situação, ficou sem o serviço.
Por isso, antes de decidir, não olhe apenas para aquilo que aparentemente vai poupar.
Olhe para aquilo que vai receber.
E para aquilo de que está a abdicar.
Porque uma proposta pode parecer excelente quando é apresentada.
Mas, depois de fazer todas as contas, pode descobrir que foi realmente um excelente negócio.
Para o comprador.
Se está a pensar vender a sua casa e quer perceber primeiro que alternativas tem e quanto poderá realmente ficar consigo em cada cenário, podemos conversar.
Sem compromisso e sem pressão para vender.
Gostaria de saber quanto Vale a Sua Casa, hoje?
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CARLOS PROENÇA
Tel. 96 550 44 48
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