ARTIGO
Vender casa sozinho: a luta contra o relógio
Vender uma casa sozinho pode, à primeira vista, parecer relativamente simples.
Coloca algumas fotografias num portal imobiliário, recebe contactos, mostra a casa aos interessados e, quando aparecer alguém disposto a comprar, trata-se da documentação.
Mas é muitas vezes depois de o anúncio estar publicado que surge uma dificuldade que poucos proprietários tinham contabilizado:
o tempo.
Telefonemas durante o horário de trabalho. Mensagens ao final do dia. Pessoas que marcam visitas e depois não aparecem. Pedidos de informação. Documentos. Propostas. Negociação.
E tudo isto acontece enquanto a sua vida continua normalmente.
Tem o seu trabalho, a sua família, os seus compromissos e, provavelmente, muitas outras coisas com que se preocupar.
Por isso, antes de decidir vender a sua casa sozinho, há uma pergunta que vale a pena fazer:
quanto tempo e disponibilidade estou realmente preparado para dedicar à venda?
Colocar o anúncio é apenas o início
Publicar um imóvel na Internet é relativamente fácil.
Existem hoje vários portais onde qualquer proprietário pode colocar a sua casa à venda.
Mas anunciar uma casa e gerir uma venda imobiliária são duas coisas diferentes.
Quando o anúncio começa a receber contactos, passa a ser necessário responder a perguntas, perceber quem está realmente interessado, disponibilizar informação e organizar visitas.
E os contactos nem sempre surgem quando é mais conveniente para si.
Podem chegar enquanto está a trabalhar, ao almoço, ao final da tarde ou durante o fim de semana.
Naturalmente, pode responder mais tarde.
O problema é que quem procura casa raramente contacta apenas um imóvel.
Enquanto espera pela sua resposta, esse potencial comprador poderá estar a contactar outros proprietários ou outras casas semelhantes à sua.
Vai começar a receber telefonemas e mensagens
Quando coloca a sua casa à venda, o seu número de telefone passa, muitas vezes, a estar associado ao anúncio.
E os contactos começam.
Alguns serão de compradores genuinamente interessados.
Outros serão apenas pedidos de informação.
Outros poderão vir de pessoas que ainda nem sequer sabem se conseguem comprar uma casa naquele valor.
Também poderá receber contactos de profissionais do sector imobiliário.
O desafio não é simplesmente atender o telefone.
É perceber quais os contactos que merecem realmente o seu tempo e atenção.
Porque nem todas as pessoas que demonstram interesse numa casa estão efetivamente em condições de avançar para a compra.
E é aqui que começa uma das tarefas mais exigentes de uma venda: separar curiosidade de intenção real.
As visitas terão de se adaptar à sua vida
Depois dos contactos surgem as visitas.
E, normalmente, quem procura casa prefere visitar imóveis depois do horário de trabalho ou ao fim de semana.
Precisamente os períodos que provavelmente também gostaria de reservar para a sua família e para a sua vida pessoal.
Cada visita implica disponibilidade.
É necessário combinar horários, preparar a casa e garantir que está presente.
E existe ainda uma realidade que muitos proprietários descobrem rapidamente:
nem todas as visitas acontecem como previsto.
Há pessoas que chegam atrasadas.
Outras desmarcam pouco tempo antes.
E algumas simplesmente não aparecem.
Quando isso acontece uma ou duas vezes pode não ser relevante.
Quando começa a acontecer repetidamente, vender a casa começa a competir diretamente com o seu tempo livre.
A casa também precisa de estar preparada
Uma visita não começa quando o comprador toca à campainha.
Começa algum tempo antes.
Provavelmente vai querer ter a casa arrumada, limpa e apresentável.
Pode precisar de abrir persianas, organizar determinadas divisões, guardar objetos pessoais ou simplesmente garantir que a casa transmite uma boa primeira impressão.
Se ainda vive no imóvel, esta preparação repetida pode tornar-se cansativa.
Especialmente quando existem crianças, animais ou rotinas familiares que precisam de continuar normalmente.
Uma visita pode durar vinte ou trinta minutos.
Mas o tempo que lhe dedicou poderá ser bastante superior.
Depois surgem as perguntas
Durante uma visita, um potencial comprador poderá querer saber mais do que aquilo que está escrito no anúncio.
Pode perguntar sobre o condomínio.
Obras no prédio.
Exposição solar.
Despesas.
Vizinhança.
Estacionamento.
Transportes.
Razão da venda.
E, naturalmente, sobre o preço.
Algumas destas perguntas são simples.
Outras podem ter impacto numa futura negociação.
Por isso, responder imediatamente a tudo o que lhe perguntam nem sempre é a melhor estratégia.
A informação que fornece, a forma como a apresenta e o momento em que o faz também fazem parte de uma negociação.
E se aparecer uma proposta?
Este é provavelmente o momento que mais espera.
Alguém visita a sua casa e apresenta uma proposta.
Mas uma proposta não deve ser analisada apenas pelo valor.
Há outras perguntas importantes.
O comprador precisa de financiamento?
Já tem aprovação bancária?
Quanto pretende entregar como sinal?
Quando pretende realizar a escritura?
Existem condições associadas à proposta?
Precisa primeiro de vender outra casa?
Duas propostas exatamente com o mesmo valor podem representar níveis de segurança completamente diferentes para o proprietário.
É aqui que vender deixa de ser apenas uma questão de encontrar alguém interessado.
Passa a ser necessário avaliar a qualidade do negócio.
A documentação também precisa de estar preparada
Quando existe um comprador interessado, começa outra parte do processo.
A documentação.
Dependendo do imóvel e da situação concreta, poderá ser necessário reunir e confirmar diferentes documentos relacionados com a propriedade.
E convém que essa verificação não seja feita apenas quando aparece o comprador.
Imagine descobrir, já depois de aceitar uma proposta, que existe um documento em falta ou uma situação que terá primeiro de resolver.
Pode significar atrasos.
E um comprador que fica demasiado tempo à espera pode começar a olhar novamente para outras casas.
Por isso, uma venda bem preparada começa normalmente antes de aparecer o comprador.
O tempo também pode afetar a negociação
Existe ainda um risco menos óbvio.
Quando já investiu semanas ou meses em contactos, visitas e negociações, pode começar a sentir alguma pressão para terminar o processo.
Especialmente se entretanto encontrou a casa que quer comprar ou precisa de concretizar a venda dentro de determinado prazo.
E essa pressão pode alterar a sua capacidade de negociar.
Um comprador pode perceber que tem urgência.
E quando uma das partes percebe que a outra precisa mais do negócio, a negociação tende a tornar-se mais difícil para quem tem pressa.
Por isso, vender bem não significa apenas encontrar rapidamente um comprador.
Significa conseguir manter controlo sobre o processo até ao final.
Então, vale a pena vender casa sozinho?
Pode fazê-lo.
Há proprietários que têm disponibilidade, experiência e vontade para acompanhar todo o processo.
Mas antes de tomar essa decisão, convém contabilizar algo que nem sempre aparece quando se fazem as contas:
o valor do seu tempo.
Uma venda envolve normalmente muito mais do que publicar um anúncio.
Envolve preparação, comunicação, visitas, análise dos interessados, documentação e negociação.
E, provavelmente, estará a tomar algumas das decisões financeiras mais importantes dos próximos anos.
Por isso, não precisa de decidir imediatamente se deve vender sozinho ou recorrer a um profissional.
Primeiro, procure perceber aquilo que a venda da sua casa vai realmente exigir.
Quanto mais informado estiver no início, maior será a sua capacidade para tomar boas decisões durante o processo.
Antes de colocar a casa à venda
Há uma pergunta ainda mais importante do que “quanto tempo vou demorar?”:
estou a preparar esta venda para defender os meus interesses?
Porque encontrar alguém disposto a comprar uma casa é apenas uma parte do processo.
O verdadeiro objetivo é conseguir concretizar uma venda segura e nas melhores condições possíveis para si.
E quando o processo não é devidamente preparado, existe o risco de o negócio acabar por ser melhor para o comprador do que para si.
Se está a pensar vender e gostaria primeiro de perceber como poderia ser conduzida a venda da sua casa, podemos conversar.
Sem compromisso e sem pressão para vender.
Gostaria de saber quanto Vale a Sua Casa, hoje?
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CARLOS PROENÇA
Tel. 96 550 44 48
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